A delicadeza de quem já se transformou (e volta diferente)

           
Coleção Transmutar, estampa Mariposa, 2017. Foto de Bruna Pontual

Existe uma beleza especial em reconhecer os próprios ciclos. Não apenas os que celebramos com festa, mas aqueles silenciosos, que acontecem devagar, quase sem perceber. São metamorfoses que nos pegam de surpresa: um dia olhamos para trás e percebemos que já não somos os mesmos. Algo mudou. Algo se moveu por dentro antes de se mostrar por fora.

                                 Foto de Bruna Pontual

As mariposas carregam esse mistério. Enquanto as borboletas ganham os jardins e a luz do dia, as mariposas preferem a penumbra, o entardecer, o voo discreto sob a lua. Talvez por isso carreguem uma simbologia tão potente: a transformação que não precisa de plateia, a mudança que acontece no íntimo, a força de quem aprende a navegar pelos próprios silêncios.

Foi pensando nessa beleza discreta que, em 2017, nasceu a estampa Mariposas, como parte da coleção Transmutar. Na época, celebramos os 6 anos de DUAS falando sobre amadurecimento, sobre a força da natureza da caatinga e o poder de se reinventar. A estampa chegou colorindo roupas e acessórios com as asas simétricas e o ciclo complexo desses insetos que nos ensinam sobre resistência.
                   

Foto de Bruna Pontual


Agora, ela volta.
E volta em tule.

Há algo profundamente simbólico nesse retorno. Se antes a mariposa ganhava corpo em superfícies mais estruturadas, hoje ela chega para vestir a pele com a leveza de quem já passou por algumas transformações. O tule, com sua transparência e fluidez, deixa entrever o que está por baixo: a pele, a história, as camadas que construímos ao longo do tempo.
                                 
Foto de Bruna Pontual

Integrada agora à nossa linha Bem Querer (aquela que reúne estampas que atravessam o tempo e continuam fazendo sentido) a Mariposas em tule é um reencontro. É a prova de que certas histórias merecem ser contadas de novo, com novas vozes, novos suportes, novas peles.

Vestir essa estampa hoje é também vestir a própria trajetória. É reconhecer que já nos transformamos inúmeras vezes e que, ainda assim, seguimos abertos ao próximo ciclo. É acolher a mariposa que fomos, a que somos e a que ainda vamos ser.

Afinal, sempre é tempo de celebrar a transformação.
                         
Foto de Marcos Milet

 


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