O que guardamos do verão da infância
Há lembranças que chegam sem aviso. Um cheiro de roupa recém-lavada, a sombra que dança no chão, o calor do sol de verão. Basta um detalhe e já estamos de volta a outro tempo, outro lugar. A infância não precisa de grandes enredos: ela aparece em cenas miúdas, água escorrendo do tanque, a terra molhada depois da chuva, os pés descalços na grama, o riso solto que fazia a tarde parecer infinita.
O quintal era território de descobertas e refúgio ao mesmo tempo. Ali conviviam o barulho do vento mexendo nas folhas, a conversa entre vizinhas, os galhos que desenhavam formas no muro, as flores crescendo quase sem que ninguém notasse. Eram imagens simples, mas carregadas de permanência: pedaços de tempo que continuam voltando mesmo quando já somos outros.
Quintal (Pinterest)
Entre nós, cada memória tem um contorno próprio. Ao compartilhar lembranças, reencontramos quintais de vó, brincadeiras inventadas no improviso, sombras de árvores que viravam cenário para histórias. Essas recordações não se repetem da mesma forma, mas dialogam entre si. Uma memória puxa outra, e o que parecia individual acaba se revelando comum, como se a infância tivesse sempre pontos de encontro.
Infâncias da nossa equipe
Foi nesse tecido de recordações que surgiu a estampa Sombra no Quintal. Inspirada nas sombras projetadas no chão, nas roupas que balançam no varal, nas marcas suaves lembradas pela fotografia analógica, ela não traduz uma cena única, mas sugere a sensação de estar de volta a esses lugares. Um desenho que se soma às memórias, sem esgotá-las.
Estampa sombra no quintal
No fundo, é disso que falamos quando falamos de infância: daquilo que permanece nas entrelinhas do cotidiano. A pausa na sombra, o calor que pede descanso, o silêncio que cabe entre uma gargalhada e outra. Coisas pequenas que atravessam o tempo e seguem moldando quem somos.
Infâncias da nossa equipe
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